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Nome da Expedição: De moto pelo Atacama.

Nome Integrantes e Idades:
Jorge Cancella - 50 anos (na época)
Eduardo Mattos - 29 anos (idem)


Cidade:
Paranaguá-Pr.
Santos-SP.

Profissão:
Petroleiro-aposentado
Gerente de navegação


Qual foi o destino maximo da aventura?
 
Antofagasta-CHI


Como surgiu a idéia de realizar esta viagem?


Eduardo comprou uma Yamaha Supertenéré em 2004, como éramos companheiros no MCP Pguá, teve a idéia da viagem e me convidou prá encarar o Atacama, foi o que
bastou!


Qual foi o ponto de partida? De qual cidade saíram e rumo a qual lugar?


De uma oficina mecânica, em Ctba, às 19 horas! Minha moto estava lá aguardando algumas peças que deveriam ter chegado um mês antes (da Itália), via São Paulo,
Como já era tarde paramos numa cidadezinha logo adiante, Lapa-PR., que eu gosto
muito (cidade histórica) e tem uma comida típica dos tropeiros que é "tudo de bom'.

Procuramos entrar na Argentina via Dionisio Cerqueira, que é mais tranquilo.

Como escolheram o trajeto?

O trajeto foi de comum acordo, pois é quase único: Paso de Jama ou Paso de Sico? Escolhemos Jama!


Quanto tempo demoraram para organizar essa aventura?


Mais ou menos seis meses, eu acho!

Qual o principal objetivo desta viagem?

O principal objetivo foi conhecer de perto o deserto do Atacama e a cidade de San Pedro do Atacama. (valeu a pena)!


Qual a experiência dos motociclistas que participaram da aventura?



Para se preparar para uma aventura destas temos que estar principalmente “preparados” para algumas situações adversas, no nosso caso específico, apesar do stress do problema mecânico ocorrido com a minha moto; de ter que regressar de carona com alguns caminhões, etc.; tentei superar a situação da melhor maneira: tranqüilizando meu companheiro para que seguisse em frente e que eu já estava bem resolvido e não iria “atrasar” sua viagem, até porque não resolveria nada ficar ele rodando a 80 km/h atrás dos caminhões por mais de....4 mil km! E encarando a nova situação com bom humor!


Por outro pude sentir a solidariedade do povo chileno (motoristas) que não quiseram cobrar nada, pois acabamos ficando amigos e na minha viagem no ano seguinte (2006) para Machu Picchu levei para eles o DVD da viagem anterior, na qual foram também “protagonistas”.



Quanto tempo durou a viagem?


Eduardo chegou no 17o. dia, eu no 20o. dia (de caminhão!).


Quantos km percorriam por dia?

Não tínhamos uma média pré-estabelecida de km para percorrer por dia, porque escolhíamos o local para ficar de acordo com o nosso interesse (quando dava...).

Em média seriam 600 km/dia.


Qual foi o melhor momento da aventura?


Sem dúvida o melhor momento foi "conhecer" San Pedro do Atacama, desde o museu, geiser's, vale da lua, etc.


Qual foi o momento mais marcante?


O momento mais marcante foi a chegada na "mão do deserto"!


Qual foi o maior imprevisto durante esta viagem?


Para mim foi sem dúvida o problema mecânico com a minha (pançuda) moto! Pois em 26 anos de trilhas, enduro, rally, trial, competições e ..outras presepadas de moto, jamais tive de voltar para casa "de carona"; mas, como se o limão é muito amargo, fiz uma ótima limonada dele!  Pois mesmo de caminhão ainda curti algumas boas horas e ganhei novas amizades, além de "manejar" el camione!  Além de que hoje sei que se acontecer de novo
um problema parecido, tudo se resolve, mesmo que gere um stressezinho, hé, hé...



O que não foi tão agradável na viagem ?


Foi o fato da minha moto ter problemas mecânicos e eu acabei tendo que voltar de caminhão por mais de quatro mil quilômetros. Mas possibilitou grandes conhecimentos e oportunidades novas! Hoje me considero "escaldado" em: Atacama, grandes altitudes, falta
de combustivel, Aduanas, San Pedro do Atacama, e por ai vai...


O que poderia ter sido diferente?



Acredito que se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje deste tipo de viagem; jamais deixaria minha moto numa oficina para colocá-la "a punto", pois foi por causa disso e por

não ter ouvido minha "voz interior" que deu no que deu!


A moto que no Brasil fazia 22 km/litro, na Argentina fez 17 km/l e depois da“regulacion en el taller” argentino caiu para...9 km/l.; além de que num trajeto de grandes altitudes não conseguia passar dos....30 km/hora (a moto "afogava" e sujava vela), foram mais de ...10 velas "queimadas", só não foram mais porque eu só tinha essas dez!...  Isto causou um anda-pára-pega-morre-afoga, que no final a moto acabou por "escarear" uma arruela da ponta do virabrequim e isto desbalanceou o motor, causando um barulho estranho e falta de rendimento! Por precaução resolvi "abortar" e regressar e "camione"! “Faiz parti!”....



O que achou do trajeto percorrido?


Gostei do trajeto, tanto é que no ano seguinte, já escaldado, voltei com outros companheiros e com a mesma moto, desta vez, fiz a devidas correções na carburação e retirei a tampa do filtro de ar, colocando uma vela mais quente e a gasolina mais fraca deles; foi só alegria, a moto rodou redonda, deu 180 km/hora no desertão (onde na outra viagem não passou de 30 km/hora) e fez média geral neste trecho 18 km/l (melhor que duas Xt 660, das quatro que viajavam conosco).


Como eram as paisagens e locais previamente estudados? Surpreenderam?


Nesta minha primeira experiência na Argentina, surpreendeu um pouco a vegetação bastante baixa em se comparando com a nossa (aqui no litoral do Paraná) estamos acostumado com a beleza, variedade e exuberância da Mata Atlântica.

Por outro lado a beleza agreste do deserto de Atacama, as casas de adobe, vale da morte, da lua, o museu de San Pedro e principalmente os geiser`s.


Quais temperaturas enfrentaram?

No chaco argentino enfrentamos 44,5 graus, fomos obrigados a "estacionar" na sombra de
um posto de gasolina e molhar as roupas para suportar o calorão; já nos geiser`s enfrentamos 1 grau negativo às 5 horas da manhã (ainda bem que optamos por fazer o passeio de van....).

O que foi mais difícil durante a viagem?

Foi o momento da despedida do meu companheiro e quando coloquei minha moto em cima do caminhão, para seguir viagem com dois novos amigos camioneiros chilenos (ainda bem que os dois foram excelentes companheiros de viagem).

Como a família encarou a sua saída?


Meus familiares encararam numa boa, mas infelizmente a namorada do meu companheiro não ficou nem um pouco contente com a ida e com o tempo longe do amado!

Como foi a receptividade nos outros estados ? Qual mais gostaram ?

A receptividade do povo argentino e chileno foi a melhor possível e me fez perceber que os nossos repórteres "futebolísticos" (cala a boca Galvão!) não sabem nada do povo argentino e só incentivam uma "rixa" que não é verdadeira, pois pudemos comprovar "in loco" que fora da província de Buenos Aires, nem se fala quase em futebol e o povo tem enorme admiração pelo Brasil e pelos brasileiros.

Onde vocês dormiam? Fizeram camping ? ou fariam na próxima ?

Preferimos ficar em hotel e pousada, pois fazia muito calor e o custo era muito barato.

Qual era alimentação? (restaurantes/cozinhavam/lanches)?

Nesta viagem ainda almoçávamos e jantávamos em restaurantes, pois a comida era muito boa e barata também.

Qual foi o dia em que andaram por mais tempo?


Foi na chegada à Paso de Jama, aduana Argentina/Chile; tivemos problemas com combustível, problemas mecânicos com a minha moto que já citei e por teimosia do meu companheiro saímos de Susques muito tarde para aquele trajeto, naquela época ainda tinha um trecho de 73 km de rípio (à 30 km/hora) foi péssimo; principalmente porque fazia um frio que com o vento daquela região, amortecia mão, pés, enfim... tudo! Foi dramático; chegamos na aduana (dormimos lá, com colchão no chão, de roupa empoeirada, botas....) lá pelas 23:30 hs., depois do sufoco, parecia que estávamos no céu! “Faiz parti!”


Qual foi a preparação necessária para essa aventura?

Eu procurei fazer uma revisão completa da moto, e se não tivesse colocado a moto para mexer na carburação em Jujuy, provavelmente os problemas fossem menores.

Qual foi o peso de sua bagagem?

Minha bagagem pesou 22 kg.


O peso da bagagem não interferiu no rendimento, durante o percurso?


Não interferiu muito no rendimento porque minha "pançuda" tem motor Ducati de 750 cc, dois cilindros em "L", o que lhe dá potência de sobra, talvez por isso não tenha observado perda de potência; apenas o volume da bagagem atrapalha um pouco, mas com o decorrer da viagem vamos nos acostumando logo.


O que ficará para sempre em sua memória?

Na minha memória ficaram gravados muitos momentos de: alegrias, duvidas, incertezas, stress, frio, calor intenso, descobertas, amizades, cansaço, etc. Mas chegar pela primeira vez na "mano del desierto" foi sensacional!

Como foi a volta da viagem?


A volta como já comentei anteriormente foi a princípio dramática (moto pifada em cima de um caminhão, etc.,) mas depois ficou muito legal, principalmente pela experiência de vida com as pessoas com quem convivi neste trecho.


Em que dia começaram a viagem de volta?
 
O retorno foi a partir do 13o. dia.


Contaram com algum patrocínio? quantos % do total da viagem ?


Tive alguns patrocínios sim, alguns em espécie, outros em parcerias (troca por peças, serviços, divulgação, etc.). Consegui 70% do total gasto com a viagem.


Foi produzido algum relato online, reportagem na mídia e Documentário em DVD ?

Tivemos publicação em jornais locais e revistas, além de entrevistas em rádios locais; fiz também alguns relatos online: www.motoclubeparanagua.com.br; Inema (site de aventuras)...e agora pisteiros !!!



A viagem requeria um dvd-documentário, porque era uma das pautas da proposta de patrocínio; o vídeo por ser muito comprido (muitas horas de filmagem) exigiu muita dedicação, tempo (com quase 70% de filme editado, deu pau na máquina e meu colega e “guru do video” quase teve um piripac junto; mas no final valeu muito a pena!).


Considerações finais:


À principio são agradecimentos: à Deus por permitir esta aventura que apesar das dificuldades e problemas encontrados, terminou bem; aos meus familiares, esposa, filhos (na chegada fiquei sabendo que em breve seria vovô!), pais (83 e 79 anos, na época, minha mãe já cumpriu sua missão por aqui; meu pai, hoje com 88 anos...apesar das saudades tá forte e....vivendo); amigos; colaboradores; aos motoristas chilenos: Juanito e Javier, brasileiros: Daniel e o terceiro caminhão, João, que até alterou um pouco o roteiro para me deixar mais próximo do destino, mecânico-amigo, Walter Navarro, de Curitiba; patrocinadores que acreditaram neste projeto; companheiros da mídia em geral, que ajudaram na divulgação e principalmente ao meu companheiro desta viagem, Eduardo Mattos, pela paciência e alto grau de companheirismo nesta empreitada (hoje está um pouco longe, vivendo na Suíça, mas jamais esquecerei da pessoa legal que ele é) e também outra pessoa espetacular foi o meu amigo de muitos anos, Fábio Garmatter, que além de saber tudo sobre vídeo (edição não-linear); teve a paciência de por três semanas, ou mais, (até acabando por me ensinar) editar e autorar o DVD "de moto pelo Atacama"; onde eternizamos as imagens desta viagem incrível!



E hoje ao companheiro Evandro Dalben, que ainda não conheço pessoalmente, pela oportunidade de divulgar e repartir com outras pessoas esta experiência interessante que marcou bastante a minha vida, como motociclista e pessoa humana.


Texto e Respostas do Motocilcista Jorge, acesse seu perfil para caso queira deixar alguma mensagem

Jorge Luiz Guilherme Cancella  ( Paranaguá-Pr., Brasil )


Fotos passo a passo da viagem clicando aqui


Maiores informações em :

http://www.pisteiros.com.br/profile/JorgeLuizGuilhermeCancella


Evandro Dalben

Entrevista Realizada por Evandro Dalben em 07 Julho de 2010.




Tags: Atacama, Chile

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